A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, 21/06, decidiu manter a taxa básica de juros do país, a Selic, em 13,75%, de forma unânime. É a sétima vez que o colegiado opta pela manutenção do patamar como estratégia de contenção da inflação.
Contudo, no comunicado, o Banco Central destacou que os números mais recentes de inflação abaixo das expectativas podem indicar a proximidade de um ciclo de cortes de juros em breve. A mensagem coincidiu com o estipulado pelos economistas ouvidos pelo Boletim Focus. Para a próxima reunião, a pesquisa projeta um corte de 0,25% nos juros terminais.
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Na última edição do Focus, os agentes do mercado reduziram a expectativa para Selic, ao final de 2023, de 12,50% para 12,25%. Para o fim de 2024, a estimativa caiu de 10% para 9,5% ao ano; enquanto para 2025 foi mantida em 9%.
Ambiente externo e inflação persistente
O conjunto dos indicadores mais recentes de atividade econômica segue consistente com um cenário de desaceleração da economia nos próximos trimestres. Contudo, o comunicado pontua que os resultados positivos do IPCA convivem com uma expectativa de aumento da inflação no próximo semestre.
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A decisão apontou também que o ambiente externo se mantém adverso, ainda que a situação dos bancos nos EUA e na Europa tenha se atenuado. A nota também mencionou a política monetária das principais economias, que seguem apertando juros para conter a inflação.
O tom do comunicado
Segundo o head de renda fixa da Suno Research, Vinicius Romano, o Banco Central demonstra preocupação com “incertezas remanescentes” sobre o ambiente fiscal e deu sinalização de que “os cortes nos juros só acontecerão quando a autoridade assegurar o cumprimento de seus objetivos”.
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É provável que o Banco Central reduza as taxas de juros em breve, porém não ficou claro se será já em agosto, diz Jayme Carvalho, economista e sócio da SuperRico.
Para Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Órama, a linguagem mais suave não se efetivou explicitamente, como esperado. “A não ser pela retirada do temido alerta ‘não hesitará em retomar o ciclo de ajuste’, que vinha encerrando os comunicados anteriores”, disse.
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