Os serviços prestados no Brasil atingiram no mês passado o patamar mais baixo em cinco meses. A desaceleração reflete uma demanda visivelmente mais fraca para novos negócios e acende o alerta para o setor que mais emprega no país.
O Índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) dos serviços, divulgado nesta quinta-feira, 03/08, registrou um recuou de 53,3 em junho para 50,2 em julho, segundo a S&P Global.
Apesar da perda de ritmo, os serviços seguem acima dos 50 pontos, o que indica expansão da atividade. Pelo lado positivo, houve uma manutenção na criação de vagas e um menor impacto da inflação no setor.
A diretora associada econômica da S&P, Pollyanna De Lima, explica que a demanda “diminuiu significativamente o crescimento da atividade, uma tendência que, se mantida, poderia pesar sobre o PIB do terceiro trimestre”.
Importante lembrar que o setor de serviços ainda impacta de forma consistente a inflação no país. Assim, uma redução na atividade pode ajudar na queda dos juros. Ontem, o Comitê de Política Monetária diminuiu a Selic para 13,25% ao ano.
O índice de gerente de compras composto, que reúne dados do setor industrial e de serviços, ficou em 49,6 em julho, ante 51,5 no mês passado. É a primeira vez em cinco meses que o indicador fica abaixo dos 50 pontos.
EUA também tem desaceleração nos serviços
Nos Estados Unidos, as taxas de juros em elevação tem prejudicado os gastos dos consumidores e impulsionado para baixo o desempenho de setor de serviços – principal motor de crescimento da economia americana.
Em julho, o PMI passou para 52,3 pontos, ante 54,4 no mês anterior – queda mais intensa do que o esperado pelos analistas. Apesar da perda de ritmo, o setor segue no terreno de expansão pelo quinto mês consecutivo.
Para o economista-chefe de negócios da S&P, Chris Williamson, o ponto de atenção está nos preços cobrados pelos serviços – que subiram a uma taxa acelerada em julho, ligados a custos mais altos com pessoal.
“Tal rigidez salarial da inflação no vasto setor de serviços naturalmente preocupará os formuladores de políticas”, alertou.
Quando incluímos a indústria nesse índice, o chamado PMI Composto, também houve uma queda de 53,2 pontos em junho para 52 em julho.
“O enfraquecimento da expansão dos serviços acompanhado por um setor manufatureiro quase estagnado, a mensagem geral é de que o crescimento econômico americano enfraqueceu no início do terceiro trimestre”, conclui o especialista da S&P.
Europa: serviços atinge menor nível em 6 meses
Na zona do Euro, o índice de gerente de compras recuou de 52 pontos em junho para 50,9 em julho, menor nível em um semestre. Já o composto, que reúne o setor e a indústria, segue em território contracionista, em 48,6 pontos.
“A zona do euro começou mal no segundo semestre. A queda na atividade é impulsionada pela manufatura, mas o crescimento da atividade de serviços também esfriou, reduzindo o apoio à economia como um todo”, destaca Cyrus de la Rubia, economista-chefe no Hamburg Commercial Bank.
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