Uma das formas de ter uma participação em uma empresa listada na Bolsa é por meio das opções de ações. São contratos que dão direito de comprar ou vender uma determinada ação por um determinado preço em ou até uma determinada data.
Como explica Luís Moran, head da EQI Research, esses contratos são normalmente padronizados e negociados em pregão nas bolsas de valores. Na prática, para cada data de vencimento, o investidor pode negociar (comprar ou vender) o direito de comprar ou vender a ação a um preço pré-determinado. Esses contratos são úteis tanto para gerenciar riscos quanto para especulação, diz o especialista.
Thiago Lourenço, operador de renda variável da Manchester Investimentos, exemplifica ao fazer um paralelo entre as opções de ações e os seguros. “Basicamente, eu invisto um valor para que eu possa me expor a um determinado movimento de mercado. Posso comprar um seguro de carro, que nesse caso é uma call. Caso o mercado suba eu ganho com aquela operação”, afirma.
Se o investimento for feito com o objetivo de se posicionar para a queda do ativo, prossegue Lourenço, compra-se um seguro de baixa (no caso, uma put). “Se o mercado cair, essa put ganha valor e compensa a perda, ou me dá o ganho com a queda se estou especulando com baixa. Consigo me expor a um determinado ativo sem necessariamente comprá-lo”, detalha o operador.
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Como funciona as opções de ações?
O mercado de opções costuma demandar um nível de conhecimento mais avançado, de quem já está acostumado a investir na Bolsa e tem um perfil de risco mais agressivo, ou seja, tem mais disposição para tomar risco.
Com a ajuda dos dois especialistas, o Bora Investir preparou um guia básico para quem quer começar a entender o que são as opções de ações, seus riscos e atratividades. Importante lembrar que este tipo de estratégia é indicado para investidores mais experientes. Ainda assim, exista a possibilidade de prejuízo.
Opções de ações: são contratos que oferecem o direito de comprar ou vender determinada ação em uma data específica. Como os contratos têm uma data de vencimento, a transação deve ser feita até esse período. Esses ativos são negociados no mercado financeiro, representados normalmente por um contrato, que atribui a seu titular o direito de compra ou venda por um valor pré-determinado em uma data futura específica. O valor das opções de ações varia segundo o ativo ao qual está atrelada.
Como negociar: nesse mercado, há ativos negociados no “balcão” ou na Bolsa. Se as opções são listadas em pregões (como na B3), têm data de vencimento determinada pela Bolsa e suas características são padronizadas. A B3 estabelece a cobertura ou margem, além das garantias de quem negocia. Pode-se ainda é negociar os contratos não-padronizados de opções no mercado de balcão. Vendedor e comprador estabelecem as características contratuais, como prazo, valor e a necessidade de depósito de garantias. Após o registro dessas opções na B3, a bolsa só deverá garantir o cumprimento do acordo entre os envolvidos.
Vantagens: as opções consistem em um mecanismo de proteção contra potenciais perdas do mercado. Além disso, podem exigir um investimento inicial baixo, na comparação com a ação. Com isso, o acesso a esse investimento é maior e as possibilidades de ganho, também. O investidor pode usar operações com opções para combinar a compra de uma ação no mercado à vista com a compra de uma opção de venda e garantir antecipadamente um lucro mínimo. Pode-se ainda comprar opções de compra a preços acima do atual e se beneficiar de um movimento de alta das ações com um desembolso de caixa bem menor.
Desvantagens: uma das características é a elevada volatilidade. Ou seja, um mesmo contrato pode resultar em um lucro de 300% ou 100% de perda. A variação acontece porque as opções se baseiam em expectativa de preço, que não necessariamente pode se confirmar.
Valorização e desvalorização da opção: vai depender unicamente da maneira como o ativo-objeto se comporta. Ou seja, se vai seguir ou não na direção em que a pessoa investidora previu quando as adquiriu.
Call: uma call é uma opção de compra de ações. Ela tem mais liquidez e ocorre com mais frequência no mercado. Ao comprar uma call, você se torna titular e tem o direito de adquirir um ativo até determinada data.
Put: uma put é uma opção de venda de ação. O titular assume o direito de vender um ativo no vencimento por um preço predeterminado e paga um prêmio para isso.
Titular dos contratos de opções: é quem compra o contrato de opção e se torna detentor dos direitos de comprar ou de vender a ação. Esse direito só será exercido se for vantajoso – se o preço da ação no mercado for maior do que o preço estipulado na opção. Mas existe risco caso não seja exercido esse direito de comprar ou vender e perder o valor pago pela opção. Portanto, o risco é limitado ao valor pago.
Lançador: é quem vende o contrato de opção, ou seja, o direito de comprar ou vender uma determinada ação por um determinado preço. O risco está na diferença entre o valor de mercado do ativo e o valor estabelecido para o exercício da opção. Portanto, o risco é potencialmente ilimitado e pode ser bem grande.
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Cuidados para ter no radar
Moran, head da EQI Research, alerta para a cautela necessária a quem investe em opções de ações. O investidor deve ter claro seu objetivo quando está negociando com opções. É possível gerenciar riscos, por exemplo, comprando opções de venda dos ativos que possui na sua carteira e assim se proteger de uma eventual queda ou garantir uma rentabilidade mínima.
“Mas se o objetivo for o de obter lucros elevados com especulação, o investidor precisa conhecer profundamente os modelos de precificação de opções e ter limites claros de perda máxima (stop-loss). Em todos os casos, adquirir conhecimento e informação é fundamental neste mercado, que é bastante sofisticado”, pontua.
Quando o ativo pode virar pó
O operador da Manchester Investimentos lembra ainda que se uma operação foi feita para ganhar com a alta e o ativo caiu, não há ganho e o valor investido “vira pó”. Segundo o especialista, a cautela principal é quando se está posicionado vendido em uma opção, porque é uma forma de ganho alavancado, mas também de perda alavancada.
“Quando eu vendo uma opção, eu estou assumindo uma obrigação. Se no cenário de que a operação venha na contramão do que eu estou posicionado, eu vou ter um risco que é bem maior do que o valor que eu recebi”, diz Lourenço.
O especialista exemplifica. “Se eu estou na ponta vendedora de uma opção, vendendo a opção por R$ 1, e a operação vem na contramão do que eu estava, aquele R$ 1 que eu investi pode se transformar em R$ 2, R$ 3, R$ 10 de prejuízo. Em alguns casos a perda é ilimitada, por isso é tão importante cuidar das posições vendidas”.
Idealmente, segundo Lourenço, deve-se trabalhar sempre com a compra da opção porque o risco máximo está limitado ao valor que eu investi na compra da opção. Ou seja, no pior dos casos eu perde-se o valor investido, mas o risco máximo já está conhecido. “No entanto, se eu estou vendido em uma opção o meu risco máximo é ilimitado. Por isso é tão importante ter cuidado para não quebrar de quebrar”, explica o operador.
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