As criptomoedas vêm ganhando espaço na carteira dos investidores brasileiros dos mais diferentes perfis, seja como forma de diversificação ou na tentativa de aproveitar o potencial de valorização desses ativos. Hoje, já é possível acessar o universo cripto dentro do ambiente regulado da B3.
Por meio de ETFs de criptoativos ou de contratos futuros, investidores podem montar posições em Bitcoin, Ether, Solana e outros ativos digitais sem precisar abrir contas em exchanges estrangeiras ou se preocupar diretamente com a custódia dos criptoativos. Mas afinal, como esses produtos funcionam e o que muda entre eles? A seguir, entenda as diferenças e veja qual se encaixa melhor no seu objetivo de investimento.
O que são criptoativos?
Criptoativos são ativos digitais criados e transacionados em redes baseadas em tecnologia blockchain, com regras próprias de emissão, validação e registro de transações. O Bitcoin, criado em 2008, foi o primeiro criptoativo a ganhar relevância mundial, mas atualmente existem milhares de moedas digitais com diferentes objetivos, características e riscos.
Embora o histórico de valorização das criptomoedas chame a atenção, esses ativos também apresentam alta volatilidade e requerem do investidor um bom entendimento de seu funcionamento e dos riscos envolvidos – e o alinhamento com seus objetivos e perfil de investidor.
ETFs de criptoativos
Os ETFs (Exchange Traded Funds) de cripto são fundos de índice negociados em bolsa, que replicam o desempenho de algum índice de referência relacionado a criptoativos. Essa estrutura permite ao investidor ter exposição ao preço do ativo digital de forma simples, dentro de um ambiente regulado e sem precisar lidar diretamente com a custódia de criptomoedas.
Existem hoje diversas opções de ETFs disponíveis na B3, de diferentes gestoras. Há fundos que replicam o desempenho de uma única criptomoeda, como o Bitcoin, e fundos que combinam uma cesta diversificada de ativos.
Vale lembrar que existem custos embutidos, como taxa de administração, o que pode impactar a rentabilidade.
Theodoro Fleury, gestor da QR Asset, complementa: “comprar uma fração de bitcoin envolve risco de custódia, então eu diria que a diferença entre comprar uma fração de bitcoin e um ETF é de certa forma organizacional. O cliente quer ter o ativo spot, mas talvez prefira delegar toda a parte de negociação e custódia do ativo, e por isso escolhe o ETF”.
Quais ETFs de criptoativos existem na B3?
Atualmente, há 19 ativos listados na B3 relacionados a criptoativos, entre ETFs e BDRs de ETF, atrelados a índices de Bitcoin, Ether e outras moedas. O primeiro ETF de cripto negociado na bolsa brasileira foi o HASH11, lançado em abril de 2021.
Confira a lista completa:
CódigoNomeGestorÍndice de referênciaBITH11Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference Price Fundo de ÍndiceHashdexNasdaq Bitcoin Reference PriceBITI11ETF IT NOW Bloomberg Galaxy Bitcoin Fundo de ÍndiceItaú Asset ManagementBloomberg Galaxy Bitcoin IndexBKCH39Global X Blockchain ETFGlobal XSolative Blockchain IndexBLOK11Investo VanEck ETF Crypto Compare Smart Contract Leaders Fundo de Índice – Investimento no ExteriorInvestoMVIS Crypto Compare Smart Contract Leaders IndexCRPT11Empiricus Teva Criptomoeda Top 20 Fundo de Índice Investimento no ExteriorVitreoTeva Criptomoeda Top 20DEFI11HASHDEX DEFI INDEX FUNDO DE ÍNDICEHashdexCF DeFi Market Cap Weight Composite IndexEBIT11Empiricus Teva Bitcoin Fundo de ÍndiceEmpiricus EBIT – Índice Teva BitcoinETHA39iShares Ethereum Trust ETFBlackRockCME CF Ether-Dollar Reference Rate-New York VariantETHE11HASHDEX NASDAQ ETHEREUM REFERENCE PRICE FUNDO DE ÍNDICEHashdexNasdaq Ether Reference PriceHASH11HASHDEX NASDAQ CRYPTO INDEX FUNDO DE ÍNDICEHashdexNasdaq CryptoIBIT39IShares Bitcoin Trust ETFBlackRockCME CF Bitcoin Reference Rate (BRRNY)META11Hashdex Crypto Metaverse Fundo de ÍndiceHashdexCF Digital Culture Composite Index – Modified Market Cap Weight – BRTNFTS11INVESTO VANECK ETF CRYPTO COMPARE MEDIA & ENTERTAINMENT LEADERS FUNDO DE ÍNDICE – INVESTIMENTO NO EXTERIORInvestoMVIS CryptoCompare Media & Entertainment Leaders IndexQBTC11QR CME CF BITCOIN REFERENCE RATE FUNDO DE ÍNDICE – INVESTIMENTO NO EXTERIORQR CapitalCME CF Bitcoin Reference RateQDFI11QR BLOOMBERG DEFI FUNDO DE ÍNDICE – INVESTIMENTO NO EXTERIORQR CapitalBloomberg Galaxy DEFI IndexQETH11QR CME CF ETHER REFERENCE RATE FUNDO DE ÍNDICE – INVESTIMENTO NO EXTERIORQR CapitalCME CF Ether-Dollar Reference RateQSOL11QR CME CF SOLANA FUNDO DE ÍNDICEQR CapitalCME CF Solana Dollar Reference RateSOLH11ETF Hashdex Nasdaq Solana Fundo de ÍndiceHashdexNasdaq Solana Reference Price IndexWEB311HASHDEX SMART CONTRACT PLATFORMS INDEX ETFHashdexCF Web 3.0 Smart Contract Platforms Market Cap Index – Brazil
Como investir em ETFs de criptoativos?
Para investir em ETFs de criptoativos, o investidor precisa ter conta em uma corretora de valores habilitada a operar na B3 e acessar o home broker. O valor mínimo é o preço de uma cota do ETF escolhido – o HASH11, por exemplo, é cotado a R$ 86,71 (05/08/2025).
Contratos futuros de Bitcoin, Ether e Solana
Outra forma de acessar o mercado de criptomoedas via bolsa são os contratos futuros. O contrato futuro de Bitcoin existe desde 2024, e os de Solana e Ether foram lançados em junho de 2025.
O que são contratos futuros?
Os contratos futuros permitem ao investidor operar com base na expectativa sobre a variação do preço do ativo digital em uma data futura sem precisar comprar ou vender o criptoativo propriamente dito. O resultado financeiro é liquidado em reais e apurado diariamente conforme a variação do preço do índice de referência.
Além disso, no mercado futuro, o investidor pode lucrar tanto na alta quanto na queda dos preços, ao montar posições compradas ou vendidas.
Outra característica que o investidor deve entender é que o mercado futuro tem o chamado ajuste diário dos contratos. Isso quer dizer que todos os dias são apuradas as alterações de preços e é feita a liquidação das diferenças, em reais. Um exemplo: um investidor compra um contrato futuro de bitcoin por R$ 6 mil. Se no final do dia, o contrato estiver negociado a R$ 7 mil, aquele investidor recebe os R$ 1 mil de diferença. O contrário também é verdadeiro: se o contrato sair de R$ 6 mil para R$ 5 mil, o investidor tem de pagar os R$ 1 mil de diferença.
E para operar nesse mercado, não é necessário desembolsar o valor total do contrato, mas sim, uma margem de garantia, que funciona como um depósito de segurança para assegurar que o investidor honre seus compromissos. Atualmente, a margem mínima para operar contratos de Bitcoin na B3 é de R$ 50 por contrato para operações de day trade.
Como funciona o contrato futuro de Bitcoin?
O contrato futuro de bitcoin tem como referência o índice Nasdaq Bitcoin Reference Price (NQBTC) e atualmente representa 1% do preço da criptomoeda, após a mudança mais recente aprovada pela CVM.
O vencimento ocorre na última sexta-feira de cada mês, e a liquidação é exclusivamente financeira, sem transferência de bitcoins. A cotação é em reais.
Como funciona o contrato futuro de Ether?
Lançado em junho de 2024, o contrato futuro de Ether na B3 utiliza como referência o índice Nasdaq Ether Reference Price. Seu tamanho é de 0,25 Ether, cotado em dólares americanos, também com liquidação exclusivamente financeira – vale mencionar ainda que apesar de o contrato ser cotado em dólar, a liquidação é feita em reais. O vencimento acontece na última sexta-feira de cada mês.
Como funciona o contrato futuro de Solana?
Na mesma leva de lançamentos, a B3 trouxe também o contrato futuro de Solana, com referência no índice Nasdaq Solana Reference Price. O tamanho do contrato é de 5 SOL, cotado em dólares, e segue o mesmo padrão de liquidação financeira em reais na última sexta-feira do mês.
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