O real apresentou a segunda maior valorização frente ao dólar em ranking elaborado pela consultoria Elos Ayta com 28 países. Com alta de 5,9% até o fechamento de quinta-feira, 29, a moeda brasileira aparece atrás apenas do peso chileno, que valorizou 6,2%.
O desempenho positivo do real ocorre em um momento de enfraquecimento amplo do dólar. Entre as 28 moedas monitoradas pelo levantamento, 22 tiveram valorização frente à moeda americana. Em apenas cinco países a moeda local perdeu valor. Em uma, o câmbio permaneceu estável.
Bolsa, juros reais e câmbio: como Stuhlberger posiciona o fundo Verde no cenário atual
“O enfraquecimento do dólar não é homogêneo. As maiores desvalorizações cambiais em janeiro concentram-se em economias específicas”, destaca a consultoria.
Logo atrás do real no ranking, aparecem a coroa norueguesa (5,77%), o dólar australiano (5,63%) e o rand sul-africano (5,34%). Na lanterna do levantamento, está a rúpia indiana, que desvalorizou 1,96% frente ao dólar.
Apesar da desvalorização no ranking elaborado pela Elos Ayta, o dólar ainda tem variação positiva de 2,25% no índice DXY, que o compara com seis moedas consideradas fortes: o euro, o iene, a libra esterlina, o dólar canadense, a coroa sueca e o franco suíço.
Veja o ranking completo
PaísMoedaValorização %ChilePeso Chileno6,2BrasilReal (Dólar Ptax)5,9NoruegaCoroa Norueguesa5,77AustráliaDólar Australiano5,63África do SulRand Sul-Africano5,34RússiaRublo Russo5,12SuéciaCoroa Sueca4,89MéxicoPeso Mexicano4,34SuíçaFranco Suíço3,95IsraelNovo Shekel Israelense3,24InglaterraLibra Esterlina2,78ColômbiaPeso Colombiano2,49JapãoIene2,45DXY(Índice do Dólar)2,25DinamarcaCoroa Dinamarquesa2,08CanadáDólar Canadense1,48Zona do EuroEuro1,19ArgentinaPeso Argentino1,16Coreia do SulWon0,87ChinaYuan0,72PeruSol0,6TaiwanDólar Taiwanês0,1Arábia SauditaRial Saudita0FilipinasPeso Filipino-0,2Hong KongDólar de Hong Kong-0,38IndonésiaRupia Indonésia-0,56TurquiaLira Turca-0,99ÍndiaRúpia Indiana-1,96
Tensões geopolíticas pressionam o dólar
O desempenho fraco do dólar frente a moedas globais relaciona-se com um momento conturbado dos Estados Unidos, com Donald Trump implementando uma política externa considerada imprevisível e marcada por ataques até mesmo a aliados históricos. Internamente, o presidente também enfrenta pressões, com protestos violentos próximos às eleições do Congresso.
“O sistema financeiro global se tornou excessivamente concentrado em um único eixo, o dólar, e começa, lentamente, a buscar saídas. Não por pânico imediato, mas por cálculo estratégico”, pontua o economista Fabio Ongaro, vice-presidente de finanças da Câmara Italiana do Comércio de São Paulo (Italcam) e CEO da Energy Group. Ele destaca como o enfraquecimento do dólar acompanha um momento de valorização do ouro.
“É importante ser preciso. O dólar não quebrou, não perdeu sua função como moeda de comércio global e segue dominante nas transações internacionais. O que ele começou a perder é algo mais sutil e mais perigoso: a exclusividade como ativo de refúgio”, avalia o economista.
*Matéria publicada originalmente em Istoé Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir