BC diz que trajetória da Selic dependerá de impactos e extensão da guerra no Irã, mostra ata João Santos

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Banco Central (BC) reforçou na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que os próximos passos da trajetória da taxa básica de juros no país, a Selic, exigem cautela e irão depender de maior “clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio”.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz a ata do Copom.

Na semana passada, o BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,50% ao ano, e argumentou que precisará incorporar novas informações para definir os juros à frente, mencionando possibilidade de ajuste do ritmo e da extensão do ciclo de “calibração” da taxa.

O Banco Central avaliou que a demora na resolução do conflito no Oriente Médio aumenta a chance de impactos duradouros na economia global e que a duração da guerra até o momento pode ter sido suficiente para materializar riscos para a inflação no Brasil, especialmente a piora em expectativas de mercado.

O BC afirmou que entre os riscos que parecem ter se materializado após a guerra, aparece de forma mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para 2028.

A ata destacou ainda que as últimas divulgações de inflação ao consumidor e ao produtor mostraram “sinais claros” de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com indicadores em valores significativamente acima dos inicialmente esperados.

O documento reafirmou que uma inflação pressionada pela demanda requer política monetária contracionista.

Na visão da autarquia, a política de juros tem contribuído “de forma determinante” para a desinflação observada, tendo atuado também na desaceleração do crédito.

Veja abaixo as projeções do Copom para a inflação:

*Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir

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