Conheça as empresas com maiores volumes em debêntures no ano – até agora joao.santos@estadao.com

Read More 

A renda variável e as ações são apenas uma das formas de se investir em uma empresa. Outra alternativa, de renda fixa, são aplicações em debêntures, que são uma forma das companhias captarem recursos.

De forma simplificada, quando um investidor compra debêntures ele está, na prática, emprestando dinheiro para a empresa emissora, que estabelece os juros e o prazo de pagamento dessa dívida. Esse é um mecanismo importante de captação das companhias, que contribui para o desenvolvimento da nossa economia como um todo.

Levantamento feito pela Quantum Finance mostra as empresas que mais emitiram debêntures em 2023 com base em seu volume. De acordo com o documento, até o dia 21 de junho foram 91 emissões que, juntas, equivalem a um volume de R$ 51,6 bilhões. Confira!

As 10 maiores emissoras de debêntures até 21/06/2023:

códigoEmpresanúmero de emissõesremuneraçãovolume das emissão (R$)CELG12CELG DISTRIBUICAO S.A. – CELG D2DI + 1,5%  7.000.000.000PTGU153R POTIGUAR S.A.5—  3.500.000.000ANHBA4CONCESSIONARIA DO SISTEMA ANHANGUERA-BANDEIRANTES S.A.14DI + 2,14%2.650.000.000 CMGD19CEMIG DISTRIBUICAO S.A.9DI + 2,05%2.000.000.000 EQTL16EQUATORIAL ENERGIA S.A.6DI + 1,00%1.578.983.316 BCPSA3CLARO S.A.13DI + 1,35%1.500.000.000 TFLEA2LOCALIZA FLEET S.A.12DI + 1,40%1.500.000.000 CRNP11CONCESSIONARIA DE RODOVIAS NOROESTE PAULISTA S.A.1DI + 2,50%1.400.000.000VIIA19VIA S.A.9DI + 4,1%1.119.000.000RDORD7REDE D’OR SAO LUIZ S.A.27DI + 1,70%1.100.000.000Foto: Quantum Finance

As cinco empresas que realizaram as maiores emissões foram a CELG Distribuição (Grupo Equatorial), do setor de energia; a 3R Potiguar, polo da 3R Petroleum, do setor de petróleo e gás; a Concessionária da CCR, de rodovias; a Cemig Distribuição e a Equatorial Energia, também do segmento de energia.

O setor de energia, inclusive, é o destaque no ranking de emissões: três das cinco empresas que mais emitiram fazem parte do setor. A lista ainda inclui companhias de saneamento, saúde, telecomunicações e tecnologia que já fizeram emissões de debêntures neste ano.

Dados gerais sobre debêntures no Brasil:

Emissões encerradas em 2023: 91 debêntures com volume total de R$ 51,6 bilhões;

Emissões em andamento em 2023: 30 títulos, totalizando R$ 73,3 bilhões;

Emissões encerradas em 2022: 434, somando R$ 248,5 bilhões.

Ritmo mais lento que em 2022

Se aproximando do meio do ano, o levantamento também mostra que o volume de emissões representa apenas 20% do total registrado em todo o ano de 2022, que foi de 248,5 bilhões.

Para se ter uma dimensão, considerando os recursos registrados nos doze meses do ano passado, houve uma média de R$ 20 bilhões em emissões feitas por companhias por mês. Ou seja, as emissões realizadas no acumulado de 2023 até agora não chegam a somar três meses na média mensal do ano passado.

Para Rodrigo Caetano, analista da Toro Investimentos, os principais motivos que estão levando 2023 a ter uma baixa emissão de debêntures são os juros altos e o contexto de risco mais elevado na economia.

“Os juros oneram as despesas financeiras das empresas. Observamos isso no quarto trimestre de 2022, quando diversas empresas divulgaram seus resultados com uma pressão bem alta em relação às despesas financeiras, principalmente com pagamento de juros”, afirma. 

Em função do cenário de maior risco, Caetano comenta que o mercado está exigindo prêmios maiores para as debêntures, principalmente de crédito privado. Assim, mesmo empresas saudáveis financeiramente tendem a acabar por emitir dívidas com taxas elevadas.

+ Conheça o que são debêntures conversíveis

Emissões de debêntures em 2023

Por conta dos motivos citados acima, o analista da Toro vê com cautela a perspectiva na emissão de debêntures em 2023. Porém, acredita que se o contexto melhorar, havendo uma sinalização de corte de juros e risco mais baixo, pode haver uma retomada das emissões.

“Acredito que, com a melhora desse cenário no segundo semestre de 2023, as decisões possam ficar mais claras para o mercado e investidores, o que pode incentivar a retomada de emissões”, diz.

Nesta quarta-feira, 21 de junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros do país, a Selic, em 13,75% pela sétima vez seguida. Contudo, no comunicado, o Banco Central destacou que os números mais recentes de inflação abaixo das expectativas podem indicar a proximidade de um ciclo de cortes de juros. A mensagem coincidiu com o estipulado pelos economistas ouvidos pelo Boletim Focus. Para a próxima reunião, a pesquisa projeta um corte de 0,25% nos juros.

Como a crise de crédito pode afetar as debêntures

Com uma crise bancária no exterior e uma possível crise de crédito local e internacional espreitando a economia, a emissão de debêntures poderia ser uma saída para as empresas, segundo Caetano. Isso porque ela seria uma opção paralela aos empréstimos e financiamentos dos bancos.

Contudo, o cenário de juros e risco elevados vivenciado no Brasil e no mundo atualmente não permite que as companhias vejam esse caminho como uma boa alternativa para a necessidade de levantar capital para si.  

Para saber ainda mais sobre investimentos e educação financeira, não deixe de visitar o Hub de Educação da B3.

  

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Generated by Feedzy
Scroll to Top