Copom deve começar a reduzir os juros; ritmo ainda divide o mercado marilia.almeida

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O mercado financeiro, o governo e os brasileiros estão com as atenções voltadas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que começa nesta terça-feira, 01/08 e terá a sua decisão comunicada um dia depois.

O início do ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, é uma unanimidade entre os analistas econômicos. No entanto, a magnitude ainda não é consenso, assim como o tom que será adotado pelo colegiado e o impacto da chegada de dois novos diretores ao comitê.

Hoje a Selic está em 13,75% ao ano. A maioria do mercado espera um corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria os juros para 13,5%. Já os mais otimistas creem na redução de 0,5 ponto percentual.

Quanto a Selic pode cair?

O grupo de economistas da XP, formado por Caio Megale (economista-chefe), Rodolfo Margato e Alexandre Maluf apostam na redução de menor magnitude (0,25 p.p.).

Segundo os analistas, essa projeção leva em conta o mercado de trabalho ainda aquecido e as expectativas de inflação, que recuaram no médio prazo, mas se mantêm acima da meta.

“A inflação corrente recuou e a de serviços continua em níveis elevados, mas também começa a melhorar. A taxa de câmbio está cerca de 10% mais apreciada do que no início do ano (…) Ainda assim, as expectativas permanecem acima da meta para este e os próximos anos”.

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Já o estrategista-chefe da BGC Liquidez, Daniel Cunha, acredita num início de cortes mais intenso (0,5 p.p), diante da divisão interna no Comitê revelada pela ata da última reunião, onde alguns membros já defendiam um início de afrouxamento monetário.

Para o analista, divergências no Copom, principalmente em inícios de ciclo, são comuns. Porém, costumam ser ‘internas’ e acabam por demonstrar unanimidade na decisão final.

“A revelação de um dissensos seria mais no sentido de mostrar que ainda há desconforto sobre o potencial tamanho do ciclo. Além de uma sinalização ‘dura’, visando conter possíveis exageros do mercado na precificação dos próximos passos e/ou da taxa terminal”.

Comunicado do Copom: principais pontos

O último boletim Focus mostrou mais uma redução nas expectativas de inflação neste ano (4,90% para 4,84%) e 2024 (3,90% para 3,89%). As duas projeções seguem acima das metas, de 3,25% e 3%, respectivamente.

Pelo lado da atividade, a última prévia do Produto Interno Bruto (IBC-Br) mostrou uma desaceleração da economia brasileira, depois do PIB ter crescido 1,9% no 1º trimestre.

A evolução de um cenário mais benigno para a inflação no Brasil e no mundo, além das perspectivas de desaceleração da nossa economia, devem aparecer no comunicado do Copom, publicado após a decisão.

Entretanto, devem seguir na mensagem do colegiado:

os pedidos de “cautela e parcimônia”;

incerteza acerca do grau de desaceleração da demanda interna;

expectativas de inflação ainda acima das metas (desancoradas);

e medidas de aumento de arrecadação ainda insuficientes para equilibrar as contas públicas.

“Acreditamos que o Copom expressará que o ritmo de cortes adiante dependerá dos dados, sem o compromisso de um passo pré-definido”, afirma o time da XP.

Essa também é a opinião do estrategista-chefe da BGC Liquidez que acrescenta: “se existir uma sinalização explicita dos próximos passos, o tom deverá permanecer no sentido de observar os dados com serenidade e paciência”, afirma Daniel Cunha.

O sócio da consultoria Nexgen Capital, Felipe Izac, afirma que o investidor deve ficar mais atento aos próximos passos da política monetária do que na magnitude do corte na taxa básica de juros.

“O comunicado é importantíssimo para o investidor poder precificar e prever o que esperar para as próximas reuniões e no decorrer deste ano”.

Impacto dos novos diretores na decisão

As incertezas do mercado quanto a magnitude da desaceleração dos juros passam pela chegada de novos diretores ao Copom.

O economista Gabriel Galípolo, ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda, assumiu a diretoria de Política Monetária. Já o advogado Ailton de Aquino, servidor do BC, é o novo diretor de Fiscalização.

Para o estrategista-chefe da BGC Liquidez, com os novos diretores indicados pelo governo Lula, aumentam as chances de uma decisão sem unanimidade.

“O mercado e a sociedade terão de aprender a conviver com essa metamorfose do Banco Central. A decisão também será inédita do ponto de vista que iniciaremos um ciclo de juros com um BC independente, cujo presidente da autoridade monetária não é um indicado do Presidente da República”.

Essa visão também é compartilhada pelo especialista da Nexgen Capital. “Os dois novos membros estão apoiados nessa pressão que o próprio governo tem feito por uma queda de juros maior e mais acelerada”, afirma Felipe Izac.

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Expectativa para as próximas reuniões

Passada a euforia da decisão do Copom em agosto, surgem as simulações para os próximos passos da política monetária.

O time de especialistas da XP espera seis cortes de 0,50 ponto percentual a partir de setembro, caso os dados de atividade evoluam como o esperado, especialmente inflação e câmbio.

No entanto alertam que o viés expansionista da política fiscal, a inflação de serviços resiliente e as expectativas acima da meta tendem a limitar a extensão do ciclo em 2024. “Nosso cenário contempla a Selic em 10,5% em 2024, acima do consenso de mercado”.

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