Investidores que buscam uma estratégia de proteção, também conhecida como hedge, ou lucros por meio de especulação em negociações de curto prazo, costumam investir nos chamados derivativos. Como o nome diz, derivativos são ativos que derivam de outros produtos – sejam eles físicos, como café e milho, ou financeiros, como dólar, índices e ações.
O investimento em derivativos é feito por meio de contratos, e duas modalidades muito utilizadas são as opções e o mercado futuro. Por terem características semelhantes, muitos investidores acabam confundindo os dois ou não sabem qual é o mais adequado aos seus objetivos financeiros.
Principais diferenças entre opções e mercado futuro
Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, explica que a principal diferença entre as duas categorias de ativos está na obrigação ou direito de negociação. Enquanto os contratos futuros obrigam as partes a comprarem ou venderem o ativo na data de vencimento, as opções dão ao comprador o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender o ativo por preço predeterminado até a data de vencimento.
Outra diferença importante é que, em opções, existe o prêmio, que é o valor que o comprador paga antecipadamente para ter o direito de negociação. Caso ele não queira negociar, esse valor é perdido e o vendedor (lançador) o recebe. Piellusch esclarece que, no caso do mercado futuro, “não há custo de prêmio inicial além das margens de garantia”.
Portanto, é possível dizer que os riscos no mercado futuro são um pouco maiores que em opções. O professor argumenta que a obrigatoriedade de compra ou venda com contratos futuros torna essa categoria arriscada, e a alavancagem pode gerar lucros maiores ou perdas que vão além do capital inicial. Já em opções, “o risco máximo é, em geral, o valor do prêmio pago. O risco do lançador pode ser elevado, dependendo da estratégia, porque ele pode ter obrigação financeira grande se a opção for exercida contra ele”, comenta.
Qual modalidade escolher
A escolha entre opções e mercado futuro vai depender do perfil e dos objetivos de cada investidor. Piellusch entende que, em termos de perfil, as duas classes de ativos são para investidores mais arrojados. Para ele, o mercado futuro é para quem “tem boa tolerância a risco e capacidade de suportar perdas rápidas” e para quem esteja “confortável com alavancagem e necessidade de depositar margem de garantia”.
Por outro lado, as opções proporcionam “risco mais controlado no caso” e mais flexibilidade, uma vez que o investidor pode assumir posturas diferentes ao “pagar um prêmio para limitar perdas (comprador), ou ser lançador se quiser assumir mais risco em troca de receber o prêmio”, complementa.
Em relação aos objetivos, o professor da FIA Business School resume que “em geral, para hedge puro — quando se busca proteção mais previsível e simétrica — contratos futuros muitas vezes são mais diretos. Mas opções oferecem uma alternativa importante quando o investidor quer limitar o risco de perda máxima e ainda manter potencial de ganho, ou pagar ‘seguro’ para coberturas”.
Aos que buscam uma estratégia de especulação, com ganhos no curto prazo, ele explica que o day trade, que consiste em compra e venda de determinado ativo em um único dia, é mais usual no mercado futuro, pois operações mais longas nesta modalidade exigem “manter posição, depositando garantia e tendo que arcar com os ajustes diários”. Além disso, a alavancagem é um atrativo para quem está disposto a amplificar lucros e perdas.
Já no swing trade, com operações de curto prazo, mas que podem levar dias ou semanas, os investidores podem usar, segundo o professor, estratégias mais sofisticadas que “limitam perdas potenciais ao longo dos dias”, conclui.
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