Quer colocar imóvel no Airbnb? Saiba o que avaliar e como calcular rentabilidade João Santos

Read More 

Transformar um imóvel em um ativo gerador de renda por meio de plataformas de aluguel por curta temporada como Airbnb exige uma transição de mentalidade. É preciso deixar de ser apenas um proprietário para se tornar um gestor de hospitalidade.

O primeiro passo para entender se o negócio faz sentido é realizar uma análise de mercado comparativa que vá além do valor do aluguel convencional. Imagine um apartamento de um quarto em um bairro valorizado de São Paulo, como o Itaim Bibi. Enquanto o aluguel mensal fixo poderia render R$ 4.500, no Airbnb a precificação é dinâmica.

Para calcular a rentabilidade real, é preciso projetar a taxa de ocupação, que em grandes centros costuma girar entre 60% e 70%. Se a diária média for de R$ 350, com 20 dias ocupados, o faturamento bruto chega a R$ 7.000.

No entanto, o erro mais comum é ignorar os custos operacionais que não existem na locação comum. Diferente do modelo tradicional, onde o inquilino arca com condomínio, IPTU, luz e internet, no aluguel por temporada esses boletos ficam integralmente com o anfitrião.

Somado a isso, há a taxa da plataforma como Airbnb, que geralmente consome 3% do valor da reserva, e o custo de manutenção constante, como lavanderia e reposição de itens básicos como papel higiênico, café e produtos de limpeza.

Para efeitos de custos, o CEO da Referência Capital, Pedro Ros, recomenda levar em consideração que as despesas recorrentes representem entre 45% a 50% da receita bruta.

Outro fator determinante é a localização estratégica versus o perfil do público. Um imóvel próximo a um grande centro hospitalar ou a um polo de eventos corporativos terá uma demanda resiliente mesmo em dias de semana, enquanto uma casa de praia no Airbnb depende quase exclusivamente de feriados e férias escolares.

Quais os melhores bairros para um Airbnb

Levantamento realizado pela Referência Capital mostra que, em 2026, os bairros que apresentam o melhor equilíbrio entre demanda recorrente, diária sustentável e liquidez do ativo, para um Airbnb na cidade de São Paulo, são:

Pinheiros/Vila Madalena

Forte demanda de turismo urbano, gastronomia e eventos culturais. Mantém boa ocupação ao longo do ano e diárias acima da média da cidade.

Itaim Bibi / Vila Olímpia

Região com perfil corporativo muito forte. Funciona especialmente bem para estadias curtas e médias, com menor sazonalidade e maior previsibilidade de ocupação.

Jardins / eixo Paulista

Área clássica de hospedagem, com turismo, hospitais, comércio e escritórios. Boa liquidez e aceitação histórica da locação por temporada.

No Rio, a lógica é parecida, mas com maior peso da localização turística:

Copacabana

Principal polo de volume e constância de demanda. Alta liquidez, ocupação resiliente e amplo público.

Ipanema / Leblon

Regiões premium, com diárias mais altas. Funcionam melhor quando o imóvel é bem posicionado e bem acabado.

Botafogo / Lagoa

Excelente equilíbrio entre preço de compra, diária e demanda. Tem ganhado relevância por combinar mobilidade, serviços e proximidade dos principais pontos turísticos.

Quanto pode render um imóvel

O rendimento de um imóvel nas plataformas de aluguel por temporada varia de acordo com cada perfil. Os menores e consequentemente com menor valor de mercado costumam entregar uma rentabilidade superior àqueles e maior valor.

Nos cálculos da Referência Capital, um studio nos bairros nobres de São Paulo, de 1 dormitório, entre 25 e 35 metros quadrados, com capacidade para duas pessoas e avaliado em R$ 500 mil pode render entre 0,8% e 0,9% ao mês nas plataformas como Airbnb. Já um studio na mesma região, porém, entre 35 e 50 metros e avaliado em R$ 700 mil, rende entre 0,6% e 0,7%.

Diferente de São Paulo, onde a rentabilidade nas plataformas como Airbnb é mais previsível e estável, no Rio de Janeiro, a situação é um pouco mais volátil. Porém, a rentabilidade costuma ser maior. Considerando as mesmas características paulistanas, o imóvel de R$ 500 mil rende aproximadamente 0,9% ao mês, enquanto o de R$ 700 mil oferece entre 0,7% e 0,8%.

“O mercado costuma comparar apenas o aluguel com a Selic. Mas o imóvel tem dois motores de retorno: renda mensal e valorização patrimonial. Quando analisamos os dois juntos, especialmente em bairros com histórico consistente de demanda e liquidez, o retorno total tende a superar a taxa básica de juros. O imóvel não é apenas fluxo de caixa. É um ativo real, com proteção contra inflação e potencial de valorização ao longo do tempo”, Pedro Ros, CEO da Referência Capital.

Como calcular a rentabilidade

Define-se o valor do imóvel e o bairro.

Estima-se a diária média e a ocupação anual realista.

Calcula-se a receita bruta mensal (diária × dias ocupados).

Subtraem-se todos os custos operacionais e tributos.

O resultado é o lucro líquido mensal.

Divide-se o lucro pelo valor do imóvel para encontrar a rentabilidade líquida mensal (%)

O sucesso no Airbnb não é sorte, mas o resultado de um cálculo frio que subtrai a operacionalidade da receita bruta, somado à capacidade de oferecer uma experiência superior à de um hotel pelo preço de um lar. Se a margem líquida for superior a 0,8% do valor de mercado do imóvel ao mês, o modelo se mostra extremamente saudável comparado à renda fixa ou ao aluguel padrão.

A Referência Capital, lembra que o retorno não está no Airbnb ou outras plataformas em si, mas na combinação entre compra bem-feita, localização correta, estrutura de custos e gestão profissional. Quando um desses pilares falha, a conta não fecha e isso explica por que muitos investidores têm resultados muito abaixo do potencial do ativo.

*Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir

Quer analisar todos os seus investimentos em um só lugar, em uma plataforma intuitiva? Baixe o APP B3

  

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Generated by Feedzy
Scroll to Top