Começou a ser negociado nesta terça-feira, 1/8, na bolsa de valores, o Tesouro Educa+, novo título do Tesouro Direto lançado pela Secretaria do Tesouro Nacional em parceria com a B3.
O objetivo da nova aplicação financeira é auxiliar os brasileiros a conquistarem uma renda complementar para custear estudos, sejam eles de ensino superior, especialização, cursinho pré-vestibular e até mesmo uma escola particular durante o ensino médio.
Para marcar o lançamento do título, foi realizado um toque de campainha na B3. O evento de lançamento contou com a participação do Secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, do CEO da B3, Gilson Finkelsztain, e de um dos especialistas que inspirou a criação do título, o chairman da Mcube Investment Technologies, Arun Muralidhar.
“Investir com objetivos bem definidos nos ajuda a manter o foco e aumenta as chances de concluirmos o que planejamos. Quando os produtos são desenhados para esses objetivos, já trazem embutida uma estrutura que ajuda o investidor a se organizar para chegar no resultado esperado”, afirma Finkelsztain. “Acreditamos que o aumento de investidores e do capital investido passa por inovações como essa”.
O funcionamento do Educa+ é similar ao do Tesouro Renda+, lançado em janeiro e que já registra R$ 1 bilhão de aplicações, feitas por 52 mil investidores. O título amortiza todo o fluxo investido no produto em 240 prestações mensais com o objetivo de ser uma renda auxiliar no período da aposentadoria.
Quais as diferenças entre o Renda+ e o Educa+?
A principal diferença entre o Tesouro Renda+ e o Tesouro Educa+ é o prazo de recebimento da renda a partir dos recursos acumulados, que varia conforme o objetivo financeiro. Enquanto no Renda+ o objetivo é acumular recursos para gerar uma renda durante 20 anos, no Educa+ o intuito é criar uma reserva para ter uma renda mensal por um período de cinco anos, prazo máximo de um curso superior.
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Outra diferença é o prazo de vencimento dos títulos, novamente por conta do objetivo financeiro. Enquanto a reserva para educação de um filho se inicia quando a criança nasce, ou seja, costuma durar 18 anos, a reserva para aposentadoria do Renda+ tem um prazo maior de acumulação. Paulo Marques, coordenador de suporte ao planejamento estratégico da dívida pública do Tesouro Nacional, aponta que o título mais longo do Educa+ tem prazo de 23 anos, enquanto o título mais curto do Renda+ tem prazo de 27 anos.
O benefício da isenção da taxa sobre a renda é menor no Educa+ do que no Renda+. O investidor que receber todas as suas rendas não paga nenhuma taxa sobre ela até o limite de quatro salários mínimos, vigentes na data de recebimento da renda, enquanto no Renda+ esse limite sobe para seis salários mínimos. Assim como o Renda+, a partir dessa faixa salarial é cobrada uma taxa de 0,10% ao ano sobre o excedente. Marques ressalta que 99% da população brasileira se enquadra nessa faixa de renda.
Ambos os títulos são indexados pelo IPCA e seguem a tabela regressiva do Imposto de Renda, assim como todos os outros títulos do Tesouro Direto.
Parentes e amigos poderão contribuir com a reserva
A partir de outubro, será possível que parentes e amigos da criança ou adolescente, como avós, tios e padrinhos, possam contribuir para a reserva educacional. A ideia é que uma conta seja criada no nome da criança ou adolescente e parentes possam contribuir com ela a partir do recebimento de um link com um QR code.
O Tesouro Nacional também pretende começar a distribuir, também em outubro, gift cards do Tesouro Educa+, que também serão uma forma de colaborar com a reserva em datas comemorativas, como Natal e aniversários.
“O Tesouro Educa+ representa uma iniciativa pioneira no Brasil, que visa levar a educação financeira para dentro dos lares. Ao engajar toda a rede de suporte familiar e amigos, queremos contribuir significativamente para um futuro educacional mais sólido e seguro para nossas crianças e jovens”, disse Rogério Ceron, Secretário do Tesouro Nacional, durante o evento.
A ideia também é, no futuro, permitir que contribuições ao Educa+ possam ser dadas como benefícios por empresas e até mesmo Prefeituras. “Pensamos em estender esse investimento colaborativo para outros títulos do Tesouro. Estamos estudando essa possibilidade”, completa Marques, do Tesouro Nacional.
Como funciona o Tesouro Educa+
O investidor poderá escolher entre os 16 títulos disponíveis, de acordo com o ano de vencimento. A primeira conversão de renda começa em 2026 e a cada ano posterior. Após o vencimento do título, o investidor receberá renda mensal por cinco anos a partir do dia 15 de janeiro do ano escolhido para o início do recebimento.
Os títulos do Tesouro Educa+ garantem proteção contra efeitos da inflação, com correção pelo IPCA, além de uma taxa real. Os investimentos possuem carência de 60 dias e, após esse período, é possível vender os títulos ao preço de mercado.
Qual o custo do novo título do Tesouro?
Os títulos levados até o vencimento terão como benefício a isenção da taxa de custódia na B3. A venda antecipada de 0 a 7 anos terá incidência de taxa sobre o valor vendido de 0,50% ao ano, de 7 a 14 anos terá taxa de 0,20% ao ano e acima de 14 anos terá taxa sobre o valor vendido de 0,10% ao ano. O vencimento do título só ocorre após o pagamento de 60 parcelas.
Como investir no Educa+?
Para saber mais sobre o lançamento e começar a investir, acesse o site do Tesouro Direto ou entre em contato com a sua corretora.
Assim como o Renda+, o Educa+ permite simular quanto será necessário aplicar para obter a renda desejada no vencimento do título.
Marques, do Tesouro, aponta a importância de começar a reserva para educação cedo, quando o esforço de poupar será bem menor devido ao efeito dos juros compostos ao longo do tempo.
“Para que a criança tenha uma renda de R$ 500 durante cinco anos a partir dos 18 anos, é necessário poupar R$ 164 por mês, caso o investimento seja iniciado aos 7 anos, e R$ 81 por mês, caso o investimento comece a ser feito a partir do primeiro ano de vida da criança.
Histórico do Tesouro Direto
O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional de venda de títulos públicos federais para pessoas físicas. Lançado em 2002, surgiu com o objetivo de democratizar o acesso aos títulos públicos, fomentar a formação de poupança e ser instrumento de educação financeira. Desde o lançamento, as negociações da plataforma são realizadas por meio da infraestrutura da B3.
Atualmente, o programa conta com mais de 2,2 milhões de investidores ativos e mais de R$ 120 bilhões de estoque. A emissão de títulos é garantida pelo Tesouro Nacional, as negociações são realizadas pela internet e o valor mínimo de investimento é de aproximadamente R$ 30.
O produto oferece títulos com diferentes tipos de rentabilidade (prefixada, ligada à variação da inflação ou à variação da taxa de juros básica da economia, a Selic), diferentes prazos de vencimento e fluxos de remuneração. Além disso, oferece liquidez diária e liquidação de resgate no mesmo dia. Os títulos públicos têm o menor risco de crédito do mercado.