“ETFs devem ser vistos como um bloco de diversificação dos portfólios”, apontam especialistas  João Santos

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Nos últimos cinco anos, a indústria de ETFs (fundos de índice) no Brasil teve uma grande explosão. Até setembro de 2026, 229 ETFs estavam listados na B3 e 945 mil investidores tinham posição neste tipo de ativo.  

No começo, a jornada inicial focava em apresentar os ETFs aos investidores pessoa física, criando diversos segmentos de alocação. Mas uma nova fase surgiu, com a necessidade de o investidor ter que escolher sobre qual tipo de ativo seria incorporado no portfólio.  

“A próxima fase no Brasil será sair da pergunta ‘Qual ETF escolho?’ para ‘Como incorporar ETFs como um bloco no portfólio?’”, aponta Renato Eid, sócio e head de estratégias indexadas da Itaú Asset Management.  

Desafios de transição na indústria 

Para Catherine Clay, CEO da S&P Dow Jones Indices, a indexação promovida pelos ETFs ajuda para que os investidores transitem da poupança a outras classes de ativos, pela facilidade de entendimento e investimento.  

Eid destacou ainda que o Brasil passou da fase de penetração entre investidores individuais, mas ainda há desafios como mostrar para eles os ETFs de renda fixa, principalmente para um país que se destaca nesse tipo de investimentos nas carteiras. “Queremos mostrar as pessoas os benefícios de incorporar ETFs de renda fixa no portfólio”, aponta.  

Diferenças entre os mercados 

Eid destacou que as demandas dos investidores brasileiros são diferentes, o que significa que um produto que faz sucesso nos EUA ou em outros mercados, não necessariamente pode ser bem sucedido no Brasil 

“ETF é mais do que um fundo, é preciso que ele acompanhe as demandas dos clientes, por exemplo, soluções de renda fixa acopladas ao cenário externo”, pontua.  

Clay exemplifica que a proliferação de ETFs nos EUA pode se tornar um problema, ao invés de uma vantagem. Para ela, é fundamental entender qual o ponto de entrada do investidor individual, mas também dos consultores de investimentos.  

Eid reforça a importância de construir uma cultura com os brokers que compram diretamente os ativos. “Acredito que no Brasil estamos indo na direção de uma cultura de investir a traves dessa corretagem e aproveitar esses ETFs”, diz.  

O que norteia a construção dos ETFs 

Outra questão debatida foi o que norteia a construção dos ETFs: a escolha dos índices. A grande dúvida é se está relacionada ao que os investidores estão buscando ou se são as teses acompanhadas pelo mercado.  

Clay afirma que já foi feita muita coisa no universo dos ETFs, por exemplo, fundos de índice que replicam o mercado de equity e atualmente tem surgido muitas iniciativas relacionadas aos option ETFs (que além de ter ações ou títulos, usam opções e derivativos para mudar o retorno da carteira).  

Diante dessas inovações, os executivos ainda pontuam que a transparência é importante como pilar, afinal sem transparência não existem ETFs.  

O que muda o mercado de ETFs nos próximo 5 ou 10 anos 

Entre as novas tendências os especialistas acreditam que a tokenização conquista um espaço, além do acesso à blockchain no formato 24 horas e 7 deias na semana.  

Eles ainda destacam a relevância de não enxergar mais o ETF como um produto e sim como um bloco de construção dentro da cesta de ativos. Eid cita a experiência de usuário e a educação do investidor como fatores importantes.  

“ETF não é mais um produto é uma ferramenta poderosa no mercado de investimentos”, afirma Eid.  

Eles acreditam que teremos um crescimento de ETFs focados em opções e a bolha de IA devem proporcionar uma evolução natural do mercado.  

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